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| Amanhã dou um curso sobre "Treinamento: FORMA LIVRE NO TREINAMENTO", na Gama Filho e sábado um sobre "Levantamentos multiarticulares de força e potência, movimentos calistênicos, exercícios pliomêtricos, exercícios e esportes de força" na FEFISO, em Sorocaba. O que vocês acham que eu tou fazendo agora? Ganha um pirulito quem disser "montando apresentação". | |
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| Para cada fileira foi designado um árbitro. Os árbitros são pessoas de grande experiência e reconhecimento no esporte. O speaker principal e o controlador das listas de atletas interagiam o tempo todo, garantindo a precisão dos atletas chamados para cada round. A primeira prova foi o log press. Ficou muito claro que boa parte dos atletas têm formação em levantamento olímpico. Os mais eficientes não desenvolveram o “tronco” (na verdade, um implemento feito de metal e plástico), e sim o arremessaram. Alguns até mesmo fizeram tesoura no jerk. O movimento era tudo menos uma rosca direta de 150kg até o peito. Os atletas agachavam, traziam o tronco para o colo, giravam o cotovelo para frente nesta posição favorável e estendiam a cadeia inferior. Dali, era um segundo tempo de arremesso. Nosso atleta Mohai não executou a prova por vários motivos: primeiro, lesões antigas lhe tiraram a flexibilidade do ombro, lesões recentes no bíceps e tríceps atrapalharam a primeira fase do movimento e, não menos importante, ele não domina técnicas de levantamento olímpico ainda. A segunda prova foi o Medley de cangalha, saco de areia e farmer’s walk. Os organizadores foram enfáticos em insistir que a prova era “leve”. Pesos inferiores a 400kg em cangalha são só admissíveis nestes contextos, pois são cargas muito baixas. O farmer’s walk era constituindo de um implemento que era puxado de um ponto mais alto do que o que se costuma usar no Brasil. Eram quase 160kg de cada lado e era considerado falta escorregá-lo. Nesta prova, a não execução da cangalha era eliminatória. Essa foi uma prova onde Mohai se deu relativamente bem. A prova seguinte era o terra com veículo. Não sei exatamente o peso. Os carros foram carregados com anilhas. Atletas de pequena estatura se deram bem nesta prova. Um deles realizou 12 repetições. Foi nela que nosso atleta sentiu a lesão da inserção do tendão patelar e não executou nenhum movimento. A última prova eram três percursos carregando a Hussefeldt Stone, um implemento de metal pesando 180kg. Boa parte dos atletas não cumpriu a prova. As provas de caminhada foram feitas, pela maioria dos atletas, com bastante precisão. Nas entrevistas gravadas e conversas informais que tive com os técnicos e atletas, entendi que todos treinaram bastante estes movimentos de carregamento, bem como outros que são a base das provas. Infelizmente, não houve nenhuma prova com tombamentos, que teria favorecido nosso atleta, pois puxadas duplas seguidas de empurramento são uma especialidade no embrionário Strongman brasileiro. Amanhã discutiremos aspectos gerais sobre a evolução do esporte em países sem tradição nos mesmos, bem como farei uma análise comparativa da dominância americana versos européia no Strongman. Eventos:Sexta-feira: Bigg Dogg Strongg: puxada de tronco (primeiro tempo do arremesso) e “press” (segundo tempo de arremesso) para repetições (147kg). Você deve fazer cada repetição de press - 60 segundos Iron Mind Yoke Walk, Sandbag and Farmers Medley for 50’ each implement (850# yoke or 431 kilos, 200# Sandbag, 350# farmers) – Medley de CANGALHA, SACOS DE AREIA e CAMINHADA DO FAZENDEIRO –50 segundos para cada implemento Ricart Automotive Side Handle Car Deadlift for reps (Ford Focus) – Terra de pegada lateral para repetições com carro Bigg Dogg Strongg Hussefeldt Carry max distance (400# or 181 kilos) – Carregamento de “pedra chata” (Hussefeldt) por maior distância (181kg) Domingo (só os dez primeiros): Bigg Dogg Strongg Dumb Bell Medley: Thomas Inch Dumbbell, 10” 190# Dumbbell, 12” 200# Dumbbell, 14” 210# Dumbbell – Medley de Dumbells (190, 200, 210 libras) Odd Object Carry and Load Medley: Four Objects of Varying weight and shape. – Medley de transportar e colocar em um local (carregamento) de quatro objetos de peso e forma variável ASC Atlas Stone over the Bar for reps: 75 Sec Time Limit 420# stone over 54# bar – Atlas Stones sobre a Barra para repetições: 75 segundos (limite de tempo), pedra de 420 (libras) sobre uma barra de 54 (polegadas). AWARDS: 1st place will receive trophies. All other places will receive medal. 1st Place finisher will get a guaranteed invitation to the 2013 Arnold Classic Pro – PRIMEIRO LUGAR RECEBE TROFÉU. TODOS OS DEMAIS RECEBEM MEDALHAS. PRIMEIRO LUGAR TEM CONVITE GARANTIDO PARA O ARNOLD CLASSIC PRO DE 2013. RegrasPrimeiro dia (sexta): Bigg Dogg Strongg Log C & P for Reps: Tempo limite de 60 segundos. O juiz dará o sinal “down” (para baixo) uma vez que o peso esteja estável, cabeça atravessada, ombros, joelhos e quadris travados e pés paralelos. Não serão permitidos cintos “build up”. Não é permitido descansar o peso no cinto. Apenas magnésio (145kg) Iron Mind Yoke, Sandbag and Farmers Medley: 50 pés para cada etapa do percurso com um limite de tempo de 90 segundos. O implemento inteiro deve cruzar a linha. Penalidade de escape de 2 segundos. Quedas/derrubadas múltiplas. Cangalha=385kg, sacos de areia=90kg, 158kg caminhada do fazendeiro Car Deadlift for Reps: Limite de tempo de 60 segundos. Macaquinho e straps são permitidos. O Juiz dará um sinal “down” uma vez que as costas, quadris e joelhos estejam travados. Magnésio apenas. O carro será provavelmente um Ford Focus. Bigg Dogg Strongg H-Stone Carry: Pedra de Hussefeldt deve ser levantada do chão (30 segundos para começar) e carregada o mais longe possível. Trajeto de 50 pés. O pé deve tocar a linha para fazer a volta. Magnésio apenas. Não são permitidos cintos “build up”. A pedra-H deve ser carregada na frente do corpo. A pedra deve estar virada para cima. 181kg. Domingo: Bigg Dogg Strongg DB Medley: Tempo limite de 75 segundos. O Juiz dará o comando “down” uma vez que o peso esteja estável, cabeça atravessada (??), ombros, joelhos e quadris travados e os pés paralelos. Não serão permitidos cintos “build up”. Não é permitido descansar o tronco no cinto. Magnésio apenas. “Thomas Inch Dumbell” 10” (86kg), 12”(90kg) e 14”(95kg). Odd Object Carry and Load Medley: Tempo limite de 75 segundos. Quatro objetos de peso e forma variável. Não é permitido descansar os objetos no cinto. Magnésio apenas. Plataforma de 54-50 polegadas. Percurso de 10 pés. ASC Atlas Stone over the Bar for Reps: Tempo limite de 75 segundos. Cola é permitida. Barra de 54 polegadas (190kg). | |
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| Hice inúmeros contatos con companhias associadas al deporte en la feria aquí en Arnold. Comienzava mi discurso me presentando y diciendo “buenos días, yo soy la secretaria de una organización sudamericana de powerlifting (explicación, explicación, explicación sobre la ASUPO). Quiero discutir patrocinio. Somos non-profit, lo que podemos ofrecer es nuestros cerebros: somos coaches, profesores, escritores y buenos atletas.” Muchas compañías se mostraban receptivas. Entonces dicia: “nuestro mas grande expoente es Mauro Spinardi, el quebró un record histórico que se mantenía desde 1972, es el mejor.” Y todos reaccionaban con admiración: “Ahh!!”. Pero quando yo decía: “necesitamos de apoyo y patrocinio para el”. La respuesta era mas para “ahnn…” Me dician para enviar email para explorar las posibilidades después. Nadie sabe como apoyar alguien en Sudamerica, donde es casi imposible enviar productos y, peor, dinero. Mi conclusión: no es una question de no reconocer el merito del atleta, pero la lucha por quebrar el muro de contención que nuestros países sudamericanos crearan para relaciones internacionales en deporte y educación. Como enviar cosas y plata para países donde la burocracia gobernamental hace todo que puede para impedirnos? Una de las companhias, pequeña, se mostro tan entusiasmada que me propuso hacer un video/portofolio y nos enviarían productos (fat bar training device). Pero como? Para Argentina? Brasil? Con 60% imposto en la aduana mismo para non-profits? Si, es mas fácil el reconocimiento del merito de Mauro aquí. Hable con gente como Scott Cartwright y otros, todos muy impresionados con los logros de Mauro. Pero el problema del apoyo permanece insoluble. Cuento ese relato sobre Mauro por ser paradigmático, por ser nuestro mas grande expoente. Y si asi lo es para uno como el, único en su universo, imaginen apoyo para otros buenos atletas que tienen también merecimiento? Pobre Sudamerica. | |
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| O Wagner Bortolato ficou em segundo na final. Poderia ter vencido, poderia ser penta-campeão mundial, mas a lesão o atrapalhou e perdeu... por falta... Que lástima, mas que grande atleta. Nunca conheci um tetra-campeão mundial de um esporte realmente competitivo. Canso de dizer que no powerlifting títulos importam quase nada, com quarenta federações internacionais e tantas outras locais. Marcas sim. Mas na luta de braço, a coisa é diferente. Um campeão é um campeão, com mérito e não "boasting" (confete em si mesmo, tão comum no powerlifting). Fico ao mesmo tempo admiradíssima e orgulhosa de conhecer alguém tão capaz e talentoso, e mais triste e desanimada ainda com o Brasil, que não dá o devido reconhecimento a seus atletas e pessoas de real mérito. O Brasil é um país de fakes... Triste. | |
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| O Arnold Amateur Strongman Championship é um evento tradicionalmente organizado pela American Strongman (http://americanstrongman.com/ ). A AS é uma das duas organizações importantes e determinantes dos rumos do Strongman no mundo todo. A reunião técnica, realizada às 20h da quinta-feira deu o tom do que seria o dia seguinte. Ao mesmo tempo muito bem regrado e rigoroso no cumprimento das normas, o evento foi pautado pela hospitalidade e solidariedade internacional. Na “chamada”, cada atleta tinha seu nome dito e solicitava-se ao mesmo que o pronunciasse da maneira mais precisa. O diretor de evento com a planilha de chamada, então, anotava de maneira fonética, uma vez que, com representantes de 19 países, nomes de difícil pronúncia estavam representados. Era uma preocupação dos organizadores não apenas o respeito a estes atletas e seus idiomas, mas que os mesmos atendessem prontamente quando chamados. Todas as provas e suas regras foram discutidas e a manifestação de dúvidas estimulada entre as equipes presentes. Uma vez cumprida esta etapa, as alturas dos suportes das cangalhas foram anotados e as camisetas oficiais do evento foram distribuídas aos atletas, bem como as pulseiras para circulação pelo Arnold Festival. O evento estava marcado para as 8 da manhã. Na reunião técnica, solicitou-se aos atletas que se apresentassem às 7 da manhã. Os organizadores explicaram que era melhor vir com esta antecedência para o aquecimento, que às 8 horas os atletas seriam distribuídos nas fileiras para execução de cada prova. Eram quatro fileiras para cada prova com mais de 10 rounds de atletas por fileira (mais de 50 atletas). Às 8:15h seriam formadas as fileiras e às 8:30h precisamente seriam iniciadas as provas. Não houve nem cinco minutos de atraso na programação. É fácil entender: o campeonato amador teria que terminar às13:30h, segundo a programação, pois às 14h começaria o profissional. E foi exatamente o que aconteceu. Ficou muito claro que os procedimentos são padronizados há anos. Embora um livro de regras propriamente dito não seja disponibilizado online, é evidente que ele existe, formal ou informalmente. Não apenas as regras de execução de cada tipo de prova já é consensual, como o procedimento para arbitragem também. Amanhã falarei sobre a arbitragem e as provas propriamente ditas, que traduzi e estou anexando aqui neste texto. Eventos:Sexta-feira: Bigg Dogg Strongg: puxada de tronco (primeiro tempo do arremesso) e “press” (segundo tempo de arremesso) para repetições (147kg). Você deve fazer cada repetição de press - 60 segundos Iron Mind Yoke Walk, Sandbag and Farmers Medley for 50’ each implement (850# yoke or 431 kilos, 200# Sandbag, 350# farmers) – Medley de CANGALHA, SACOS DE AREIA e CAMINHADA DO FAZENDEIRO –50 segundos para cada implemento Ricart Automotive Side Handle Car Deadlift for reps (Ford Focus) – Terra de pegada lateral para repetições com carro Bigg Dogg Strongg Hussefeldt Carry max distance (400# or 181 kilos) – Carregamento de “pedra chata” (Hussefeldt) por maior distância (181kg) Domingo (só os dez primeiros): Bigg Dogg Strongg Dumb Bell Medley: Thomas Inch Dumbbell, 10” 190# Dumbbell, 12” 200# Dumbbell, 14” 210# Dumbbell – Medley de Dumbells (190, 200, 210 libras) Odd Object Carry and Load Medley: Four Objects of Varying weight and shape. – Medley de transportar e colocar em um local (carregamento) de quatro objetos de peso e forma variável ASC Atlas Stone over the Bar for reps: 75 Sec Time Limit 420# stone over 54# bar – Atlas Stones sobre a Barra para repetições: 75 segundos (limite de tempo), pedra de 420 (libras) sobre uma barra de 54 (polegadas). AWARDS: 1st place will receive trophies. All other places will receive medal. 1st Place finisher will get a guaranteed invitation to the 2013 Arnold Classic Pro – PRIMEIRO LUGAR RECEBE TROFÉU. TODOS OS DEMAIS RECEBEM MEDALHAS. PRIMEIRO LUGAR TEM CONVITE GARANTIDO PARA O ARNOLD CLASSIC PRO DE 2013. RegrasPrimeiro dia (sexta): Bigg Dogg Strongg Log C & P for Reps: Tempo limite de 60 segundos. O juiz dará o sinal “down” (para baixo) uma vez que o peso esteja estável, cabeça atravessada, ombros, joelhos e quadris travados e pés paralelos. Não serão permitidos cintos “build up”. Não é permitido descansar o peso no cinto. Apenas magnésio (145kg) Iron Mind Yoke, Sandbag and Farmers Medley: 50 pés para cada etapa do percurso com um limite de tempo de 90 segundos. O implemento inteiro deve cruzar a linha. Penalidade de escape de 2 segundos. Quedas/derrubadas múltiplas. Cangalha=385kg, sacos de areia=90kg, 158kg caminhada do fazendeiro Car Deadlift for Reps: Limite de tempo de 60 segundos. Macaquinho e straps são permitidos. O Juiz dará um sinal “down” uma vez que as costas, quadris e joelhos estejam travados. Magnésio apenas. O carro será provavelmente um Ford Focus. Bigg Dogg Strongg H-Stone Carry: Pedra de Hussefeldt deve ser levantada do chão (30 segundos para começar) e carregada o mais longe possível. Trajeto de 50 pés. O pé deve tocar a linha para fazer a volta. Magnésio apenas. Não são permitidos cintos “build up”. A pedra-H deve ser carregada na frente do corpo. A pedra deve estar virada para cima. 181kg. Domingo: Bigg Dogg Strongg DB Medley: Tempo limite de 75 segundos. O Juiz dará o comando “down” uma vez que o peso esteja estável, cabeça atravessada (??), ombros, joelhos e quadris travados e os pés paralelos. Não serão permitidos cintos “build up”. Não é permitido descansar o tronco no cinto. Magnésio apenas. “Thomas Inch Dumbell” 10” (86kg), 12”(90kg) e 14”(95kg). Odd Object Carry and Load Medley: Tempo limite de 75 segundos. Quatro objetos de peso e forma variável. Não é permitido descansar os objetos no cinto. Magnésio apenas. Plataforma de 54-50 polegadas. Percurso de 10 pés. ASC Atlas Stone over the Bar for Reps: Tempo limite de 75 segundos. Cola é permitida. Barra de 54 polegadas (190kg). O Arnold Amateur Strongman Championship é um evento tradicionalmente organizado pela American Strongman (http://americanstrongman.com/ ). A AS é uma das duas organizações importantes e determinantes dos rumos do Strongman no mundo todo. A reunião técnica, realizada às 20h da quinta-feira deu o tom do que seria o dia seguinte. Ao mesmo tempo muito bem regrado e rigoroso no cumprimento das normas, o evento foi pautado pela hospitalidade e solidariedade internacional. Na “chamada”, cada atleta tinha seu nome dito e solicitava-se ao mesmo que o pronunciasse da maneira mais precisa. O diretor de evento com a planilha de chamada, então, anotava de maneira fonética, uma vez que, com representantes de 19 países, nomes de difícil pronúncia estavam representados. Era uma preocupação dos organizadores não apenas o respeito a estes atletas e seus idiomas, mas que os mesmos atendessem prontamente quando chamados. Todas as provas e suas regras foram discutidas e a manifestação de dúvidas estimulada entre as equipes presentes. Uma vez cumprida esta etapa, as alturas dos suportes das cangalhas foram anotados e as camisetas oficiais do evento foram distribuídas aos atletas, bem como as pulseiras para circulação pelo Arnold Festival. O evento estava marcado para as 8 da manhã. Na reunião técnica, solicitou-se aos atletas que se apresentassem às 7 da manhã. Os organizadores explicaram que era melhor vir com esta antecedência para o aquecimento, que às 8 horas os atletas seriam distribuídos nas fileiras para execução de cada prova. Eram quatro fileiras para cada prova com mais de 10 rounds de atletas por fileira (mais de 50 atletas). Às 8:15h seriam formadas as fileiras e às 8:30h precisamente seriam iniciadas as provas. Não houve nem cinco minutos de atraso na programação. É fácil entender: o campeonato amador teria que terminar às13:30h, segundo a programação, pois às 14h começaria o profissional. E foi exatamente o que aconteceu. Ficou muito claro que os procedimentos são padronizados há anos. Embora um livro de regras propriamente dito não seja disponibilizado online, é evidente que ele existe, formal ou informalmente. Não apenas as regras de execução de cada tipo de prova já é consensual, como o procedimento para arbitragem também. Amanhã falarei sobre a arbitragem e as provas propriamente ditas, que traduzi e estou anexando aqui neste texto. Eventos:Sexta-feira: Bigg Dogg Strongg: puxada de tronco (primeiro tempo do arremesso) e “press” (segundo tempo de arremesso) para repetições (147kg). Você deve fazer cada repetição de press - 60 segundos Iron Mind Yoke Walk, Sandbag and Farmers Medley for 50’ each implement (850# yoke or 431 kilos, 200# Sandbag, 350# farmers) – Medley de CANGALHA, SACOS DE AREIA e CAMINHADA DO FAZENDEIRO –50 segundos para cada implemento Ricart Automotive Side Handle Car Deadlift for reps (Ford Focus) – Terra de pegada lateral para repetições com carro Bigg Dogg Strongg Hussefeldt Carry max distance (400# or 181 kilos) – Carregamento de “pedra chata” (Hussefeldt) por maior distância (181kg) Domingo (só os dez primeiros): Bigg Dogg Strongg Dumb Bell Medley: Thomas Inch Dumbbell, 10” 190# Dumbbell, 12” 200# Dumbbell, 14” 210# Dumbbell – Medley de Dumbells (190, 200, 210 libras) Odd Object Carry and Load Medley: Four Objects of Varying weight and shape. – Medley de transportar e colocar em um local (carregamento) de quatro objetos de peso e forma variável ASC Atlas Stone over the Bar for reps: 75 Sec Time Limit 420# stone over 54# bar – Atlas Stones sobre a Barra para repetições: 75 segundos (limite de tempo), pedra de 420 (libras) sobre uma barra de 54 (polegadas). AWARDS: 1st place will receive trophies. All other places will receive medal. 1st Place finisher will get a guaranteed invitation to the 2013 Arnold Classic Pro – PRIMEIRO LUGAR RECEBE TROFÉU. TODOS OS DEMAIS RECEBEM MEDALHAS. PRIMEIRO LUGAR TEM CONVITE GARANTIDO PARA O ARNOLD CLASSIC PRO DE 2013. RegrasPrimeiro dia (sexta): Bigg Dogg Strongg Log C & P for Reps: Tempo limite de 60 segundos. O juiz dará o sinal “down” (para baixo) uma vez que o peso esteja estável, cabeça atravessada, ombros, joelhos e quadris travados e pés paralelos. Não serão permitidos cintos “build up”. Não é permitido descansar o peso no cinto. Apenas magnésio (145kg) Iron Mind Yoke, Sandbag and Farmers Medley: 50 pés para cada etapa do percurso com um limite de tempo de 90 segundos. O implemento inteiro deve cruzar a linha. Penalidade de escape de 2 segundos. Quedas/derrubadas múltiplas. Cangalha=385kg, sacos de areia=90kg, 158kg caminhada do fazendeiro Car Deadlift for Reps: Limite de tempo de 60 segundos. Macaquinho e straps são permitidos. O Juiz dará um sinal “down” uma vez que as costas, quadris e joelhos estejam travados. Magnésio apenas. O carro será provavelmente um Ford Focus. Bigg Dogg Strongg H-Stone Carry: Pedra de Hussefeldt deve ser levantada do chão (30 segundos para começar) e carregada o mais longe possível. Trajeto de 50 pés. O pé deve tocar a linha para fazer a volta. Magnésio apenas. Não são permitidos cintos “build up”. A pedra-H deve ser carregada na frente do corpo. A pedra deve estar virada para cima. 181kg. Domingo: Bigg Dogg Strongg DB Medley: Tempo limite de 75 segundos. O Juiz dará o comando “down” uma vez que o peso esteja estável, cabeça atravessada (??), ombros, joelhos e quadris travados e os pés paralelos. Não serão permitidos cintos “build up”. Não é permitido descansar o tronco no cinto. Magnésio apenas. “Thomas Inch Dumbell” 10” (86kg), 12”(90kg) e 14”(95kg). Odd Object Carry and Load Medley: Tempo limite de 75 segundos. Quatro objetos de peso e forma variável. Não é permitido descansar os objetos no cinto. Magnésio apenas. Plataforma de 54-50 polegadas. Percurso de 10 pés. ASC Atlas Stone over the Bar for Reps: Tempo limite de 75 segundos. Cola é permitida. Barra de 54 polegadas (190kg). | |
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| Este sábado foi realizado o Desafio da Força Humana em Caxias do Sul. O organizador foi Vilmar Oliveira, a quem eu apoiei e cuja trajetória de décadas como pioneiro dos esportes de força eu conheço e admiro. Infelizmente, fatos envolvendo a interpretação de regras, procedimentos e acontecimentos levaram à premiação de atletas sem o consenso de mérito que seria desejável. Não sejamos ingênuos: em todo esporte do mundo ocorrem situações em que a arbitragem gera descontentamento. “Juiz ladrão” é uma frase conhecida em jogos de todo tipo. No entanto, o “juiz ladrão” pode se justificar, a posteriori, alegando uma interpretação x ou y de um livro de regras que ele obrigatoriamente conhece. O livro de regras que cada Órgão Governante (Governing Body ou Sanctioning Body), ou Entidade de Governança do Desporto adota é a Constituição daquele pequeno país ou mesmo o Estatuto da Gafieira. Sem ele, impera o vale tudo (não falemos em anarquia, pois anarquia é algo benigno e utópico, que supostamente ocorrerá quando todos estiverem de acordo e o poder e a hierarquia não sejam mais necessários). O problema do vale tudo é que, sem regras codificadas, escritas e acordadas, o que determina o resultado das ações é o poder, a violência, a manipulação, ou seja, a capacidade de cada um de fazer valer seus interesses, independente de um consenso sobre o que seja correto e justo. Isso descaracteriza o princípio do Esporte, que é o jogo institucionalizado. A natureza do esporte é ser um jogo onde as regras, antes relativamente frouxas, se cristalizam num documento cuja aplicação é garantida por uma estrutura institucional. Em geral, esta estrutura são as federações. Em esportes não olímpicos, há muitas federações. Cada uma delas, no entanto, deve ter seu livro de regras, ou Constituição. Quem compete em campeonatos organizados por elas, o faz sabendo que será julgado segundo este código. O Strongman não possui federação internacional e nem nacional. Vários organismos podem assumir responsabilidade pelos eventos de Strongman, mas nenhum realmente é um Órgão de Governança. No entanto, por organizar há muitos anos este esporte, entidades como a American Strongman já tem procedimentos padronizados. Mesmo sem um livro de regras publicado e votado em assembléia, ela tem códigos claros. Os atletas se sentem tranqüilos e à vontade para competir, sabendo sob que critérios serão julgados. Os acontecimentos de Caxias do Sul, os quais eu não presenciei, geraram revolta em participantes. A senhora Unami divulgou uma nota de desagravo contra a organização do evento (https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=307211099342989&id=100001623043783 ). Pela nota, não consegui entender exatamente o que aconteceu, coisa, aliás, esperada na ausência de códigos claros, explícitos e procedimentos pré-acordados. Vejo agora o Sr. Marcos Morais se defendendo de ataques dos quais eu não tenho conhecimento, mas tenho certeza que ocorreram, pois outra característica destas situações é o diz-que-me-diz e o conflito surdo. Um atleta que admiro muitíssimo e a quem eu incentivei desde o começo a participar de eventos de Strongman, Rafael Crestani, foi vítima da confusão, sendo classificado de uma maneira, segundo o entendimento da senhora Unami (e não só dela), e de outra maneira, segundo o resultado final, criticado por várias pessoas. Fico triste, pois isso pode erodir o entusiasmo deste, que considero um dos maiores talentos que os esportes de força no Brasil já viram surgir. Na minha relação de amizade e também cumprindo meu papel de senioridade nos esportes de Força, vou continuar estimulando o Rafael. Também não gosto da idéia de que o organizador seja crucificado, mesmo que tenha errado. Fato semelhante ocorreu no campeonato organizado em Peruibe, onde eu fui uma das árbitras e tomei uma decisão que, a posteriori, considerei equivocada. Refleti bastante e conclui que minha decisão equivocada se deu pela ausência de procedimentos claros e codificados, bem como de uma interpretação também codificada dos mesmos e de elementos de organização que permitissem ao árbitro um controle de todos os acontecimentos durante o campeonato. Nenhum árbitro consegue julgar com regras que não possuem suficiência explicativa, que não prevêem situações desviantes e que não legislam sobre as mesmas. Nenhum árbitro consegue julgar se não há uma organização do cenário que permita que ele e/ou os demais árbitros testemunhem todos os fatos relevantes ao julgamento. Assim, a única solução que eu vejo para que não ocorram mais os indesejados conflitos que se agudizaram após o campeonato de Caxias, mas já estavam latentes nos anteriores, é a elaboração de um Código de Procedimentos. Não importa o nome que demos a ele, mas é importante que exista. Pelo menos um - podem existir vários. Mas têm que existir. Eu, pessoalmente, fujo de ambientes onde imperam elementos estranhos ao tablado, pista ou arena. Onde, como eu sempre digo, o jogo é ganho fora do tablado. Todo atleta gosta de competir com segurança e tranqüilidade, sabendo que será julgado de maneira imparcial, clara e inequívoca. O atleta ético nem mesmo gosta de vencer se não tem certeza de que sua vitória foi realmente justa. Apelo, assim, à comunidade praticante e apreciadora do Strongman, que reflita sobre minha proposta e, concordando com ela, se ponha a trabalhar para a produção de um ou mais Códigos de Procedimento. Apelo também a todos para que tenham sensibilidade para situações específicas e tenham a grandeza de compreender que qualquer vitória não consensual é uma derrota para o esporte. O Strongman é um esporte, como diferente de outros, com grande apelo popular e de mídia. Seus campeonatos são verdadeiros shows. Mas cabe a vocês, praticantes, decidir se querem participar de um esporte que se presta a entretenimento, ou se preferem ser protagonistas de um show que finge ser esporte. Marília Coutinho OBSERVAÇÃO Tentei ser o mais imparcial possível, inclusive assumindo a responsabilidade de um dos erros que aconteceu. Minha postura agora é me manter eqüidistante de todos os grupos e simpática a eles. Eu não estava em Caxias e não disse que defendo ou deixo de defender ninguém - nem organizadores, nem atletas. Só disse que, na ausência de um código de procedimento, esse tipo de desentendimento vai continuar a acontecer. Vejam que em nenhum momento eu afirmei que os ganhadores não tinham mérito e sim, lamentei o conflito resultante. É muito triste a um atleta vencer e ter seu mérito questionado. | |
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| Ontem eu me submeti a um procedimento de mamotomia. Mamotomia é um sistema de coleta de biópsia mamária através de uma sonda a vácuo que extrai todo o tecido suspeito de malignidade (câncer) e tecido que margeia o mesmo, numa área de segurança. É um procedimento (cirúrgico, isso é inquestionável) relativamente simples, não requer internação e pode ser feito num laboratório de diagnóstico bem equipado. Embora algumas mulheres sofram um pouco e reclamem do desconforto, é perfeitamente suportável e a recuperação parece rápida. O que não é nada simples é lidar com os diversos elementos institucionais, sociais, econômicos, emocionais e simbólicos que envolvem o procedimento. A mamotomia me foi prescrita por um mastologista bem indicado, simpático, sorridente, e, como tantos outros profissionais, com grande dificuldade em lidar com o processo de tomada de decisão médica. Por uma cultura mundial onde as relações de poder profissional e social de modo geral favorecem o médico, estes profissionais são despreparados para administrar (e muito menos conduzir) decisões coletivas, feitas em cooperação com o paciente. São quase incapazes de compreender que, em última instância, são assistentes de uma tomada de decisão do paciente. Acredito que foi no site da American Breast Cancer Society ou outra entidade de grande prestígio que li uma frase na linha “seu médico irá decidir qual o melhor tratamento para você baseado...”. Ei! Seu médico não decidirá NADA!! Você decidirá – seu médico é pago, seja por você ou pela sociedade, para amparar sua decisão! Meu conflito começou aí, no final do ano de 2009, com os dois médicos que não são o Paulinho (Paulo Muzy). Eu já tentei negociar uma mediação que me poupe a necessidade de me transformar num ouriço retórico, com todos os espinhos e armas para fora, cada vez que necessito interagir com um novo médico. Minha estratégia era que todos se comunicassem com meu médico, o Paulo, e se entendessem com ele. Não dá certo: a vaidade deles impede. O mastologista, que é um gordinho sedentário (embora simpático e sorridente), foi inteiramente incapaz de compreender quase tudo que se seguiu à prescrição dele: primeiro, que a Medial basicamente obstruiu o processo de agendamento do procedimento. Um ano depois, impus isso à empresa através de uma ação de violência tão grande que me promoveu a paciente VIP. Mas isso envolveu horas e horas de denúncias, imprensa, advogados, minhas ameaças (sou boa nisso) por telefone a indivíduos variados e uns dois dias de cama pelos efeitos do stress. Não: já verifiquei e não se pode obter indenização por danos morais por estes motivos. Segundo, que eu jamais comprometeria minha preparação para o campeonato Sul-americano ou Mundial para fazer um procedimento que, ele dizia (bobagem) que me impediria de treinar por pelo menos 15 dias, e por 30 dias não poderia treinar pesado. O diagnóstico do final de 2009 e início de 2010 indicava um nódulo de classificação bi-rad 3. Um nódulo assim oferece pouco risco de malignidade (não superior a 2%) e sequer sugere a necessidade de uma mamotomia. Mesmo assim, passado um ano, com uma guia sem data na mão, resolvi seguir a sugestão do mastologista e, após vencer a guerra contra a Medial, comecei a fazer os exames prévios à mamotomia. Não era um nódulo bi-rad 3. Mais provável bi-rad 4b ou até mesmo c. Bem visível no ultrassom, contornos bem definidos (bom), conteúdo heterogêneo (não muito bom), probabilidade de malignidade uma ordem de grandeza maior (23-60%). Os primeiros exames haviam sido feitos no laboratório Delboni, que prima pelo bom atendimento ao cliente. Além disso, por eu ser atleta de alta performance, me foi dada a cortesia do Club Delboni, onde o paciente é tratado de maneira realmente diferenciada. Já o CBD, reconhecidamente bom do ponto de vista técnico, indicado por alguns médicos como o mais preciso, é um lixo em atendimento. Alguém que paga uma fortuna num seguro médico que julga ótimo naturalmente se sentirá ofendido. Instalações desconfortáveis, filas, congestionamento, cadeirinhas de plástico e atendentes retardadas. Tive que fazer uma mamografia, uma ultrassonografia e “esqueceram” de agendar as da mama esquerda. Quase foi necessário fazer mais exames. Fui bem clara: se eu tivesse que voltar ao inferno da Vila Mariana mais uma vez, eu não faria o procedimento, e, se o nódulo fosse maligno, responsabilizaria o laboratório e a equipe. Foi um escândalo por dia, com direito a gritos, ameaças e porradas na mesa, através dos quais consegui garantir meu atendimento (sem isso... estaria lá até agora). Eu tinha bastante trabalho em andamento – tenho, aliás. Além disso, um campeonato de Strongman para coordenar, dia 28 (sábado passado). O procedimento era dia 31. A cada novo exame que me era solicitado, minha rotina sendo destruída, horas e horas do dia sob stress absoluto, a angústia aumentava. Parceiros, colegas e clientes me solicitando coisas que eu não podia cumprir. Quando finalmente a ultrassonografia revelou que o nódulo não era o que se achava que era um ano antes, embora não tenha evoluído, eu passei a lidar com outras questões. A principal delas era o risco. Já lidei com isso antes. Em 2008, uma ressonância magnética revelou, por contraste, um padrão de imagem suspeito. Indicava a possibilidade de uma necrose avascular, e, portanto, grandes chances de câncer. Foram alguns dias até fazer a cintilografia (após outra guerra contra a Medial) e ler um laudo cômico em que o médico se declarava incapaz de interpretar a imagem. Um congresso de ortopedia depois, 15 participantes foram igualmente incapazes, mas um 16º resolveu o mistério, mostrando que se tratava do “estranhíssimo” padrão ósseo típico de um levantador de peso. Por uns 10 dias eu lidei com a idéia de que poderia ter um câncer avançado. Para mim, a opção de não tratá-lo e seguir meu intenso projeto de vida sem interrupções era clara. Para amigos e familiares, nem tanto. Desta vez, vivi um repeteco do mesmo processo. Não está sendo divertido. Acho cansativo rever essa discussão carregada de valores que rejeito, de tabus sobre mortalidade, de questões sobre decisões de vida e de caretice familiar (alheia, não minha). No entanto, não posso negar que é uma experiência rica. Vou além: acho necessária. Acho que pelo menos uma vez na vida, todo mundo deveria ter um diagnóstico terminal. Eu tive três e nas três vezes minha opção foi a mesma: rejeito o tratamento – vivo até o talo. Todo o tratamento envolvido nos meus diagnósticos seria desabilitante. Comprometeria o meu projeto de vida. Decidi não trocar, jamais, um projeto de vida por um de morte. Eu necessito deste corpo intacto para cumprir um determinado “programa” e acredito que as coisas aparentemente surpreendentes que faço são a herança que vou deixar. Não faço isso apenas por algum altruísmo religioso, mas porque é o que dá sentido à minha vida. Provo aquilo em que acredito, demonstro, obtenho prazer, vivo a transcendência. Nada disso pode ser adiado e muito menos trocado por anos de vida. Vida não se mede em anos e sim em densidade. Essa escolha choca a todos. Me pergunto o motivo. Encontro vários. Acho que é o momento de se discutir esse tipo de coisa e colocar na mesa tudo isso: vida, morte, eutanásia, suicídio, sexualidade, envelhecimento e expulsar da sala os religiosos e intervencionistas estatais. Vamos devolver o processo decisório para onde ele nunca deveria ter saído: o indivíduo. Agora devo deitar porque por enquanto isso dói. O corte, a lesão local mas também algumas feridas na alma que a interação dos últimos dias causou. P S – o resultado da biópsia virá só dia 9, 10 dias após o procedimento. É idiota demais, não? | |
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Eu gostaria de comentar o último item da pauta que o Thiago listou: “o mais importante é entender o que o cliente quer”. Gostaria de fazer isso em analogia ao que ocorre na profissão médica.
Existem evidências tanto sistemáticas (pesquisa) como anedóticas de que sempre que possível, as pessoas buscam um atendimento de saúde alternativo à medicina “mainstream”. Refiro-me aqui à medicina chinesa, à acupuntura, a osteopatia, entre outras. O motivo, segundo os estudos, é o maior entendimento que os profissionais destas modalidades têm do que a pessoa (paciente) quer. Isso pode ser medido em tempo de atendimento e nos protocolos de atendimento. Infelizmente, o médico não só trabalha em condições precárias, hoje, como os que não trabalham partilham a péssima formação humanística dos coitados. Nenhum tem capacitação ou experiência para lidar com a individualidade biológica, os desejos, ansiedades e expectativas do paciente. Em sua arrogância e negligência, impõe tratamentos. Eu não acho muito diferente do que o Thiago salientou para o treinador que faz isso. O paciente, o aluno, o cliente, quer e necessita ser visto em sua individualidade, quer ele saiba tecnicamente o que é isso ou não. Eu não sou personal trainer mas já treinei gente-não-atleta. Estas pessoas me ensinaram muita coisa. A primeira pessoa que eu treinei era uma amiga. No segundo mesociclo dela, eu achei que “o melhor para ela” eram determinados exercícios multi-articulares que lhe dariam consciência da contração da musculatura dorsal. Peito para fora, certo? Ombro para trás. Não consegui ensinar um único exercício no dia e no fim saímos da sala, ela muito perturbada, nos despedimos e ela me ligou o dia seguinte. Tinha chorado a noite toda. Essa moça foi barbaramente abusada pela mãe durante a infância. Ela automatizou uma postura de proteção das vísceras, encolhendo-se. O ombro protruso é crônico. O que ela queria? Queria ficar forte e bem. Mas certamente não queria sofrer os horrores de reviver violências como as que ela passou. Não importa o que eu achava que era o melhor para ela. O melhor para ela era o que ela dissesse e concordasse que era. O meu papel seria interpretar isso em termos de um protocolo de tarefas motoras que não conflitasse com a “memória corporal” dela. Felizmente, nem todo mundo passou pelo que minha amiga passou. No entanto, todo mundo tem sua individualidade. A medicina mainstream aterroriza as pessoas porque não incorpora isso na sua prática. Quem sabe, nisso, a Educação Física possa inovar... e dar exemplo à medicina. | |
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| Vamos lá, Marcus. Você não precisa rasgar o diploma. Mas pode usá-lo melhor e trabalhar dentro de um perspectiva de construção coletiva de saber e tomada de decisão negociada. Acima de tudo, é importante que todos entendam que aqui, a questão subjacente chama-se RELAÇÃO DE PODER. A sociologia das profissões mostra que as corporações (médicos, engenheiros, etc) se organizam para lutar por PODER na sociedade através de hegemonia sobre um discurso: “eu passo a ter direito exclusivo para dizer o que é seguro na construção de uma ponte”; “eu passo a ter direito exclusivo para dizer o que é criminoso”; “eu passo a ter direito exclusivo para dizer o que é saudável” – OPA!! Mesmo? E eu, que sou o sujeito da condição saudável ou não? Que tenho ou não uma doença ou condição patológica? Tenho ou não direito de negociar essa condição? A realidade hoje é que crescem os movimentos de “sobreviventes” e outros de pacientes pro-ativos, que têm alto domínio técnico de suas condições e se organizaram para resistir à hegemonia dos médicos sobre este discurso. Ilustração: “você está com câncer de próstata e o tratamento indicado é prostatectomia radical”. Resposta de um paciente proativo: “discordo e não será assim: dada minha idade e o doubling time observado, é minha decisão que o tratamento deve ser radioterapia.” Se o médico não concordar e não souber fundamentar seu ponto de vista, com SIMETRIA e respeito, são grandes as chances dele entrar na lista negra nos Estados Unidos (Yes! Existe!). Alguém já está começando a ver o paralelo com a Educação Física? Os personal trainers? Ainda não? Opa, continuemos, então. Aos pontos. Como diferente de um sujeito experimental, um paciente/aluno/cliente é um sujeito ativo e pro-ativo. Não precisamos negociar com um rato a resposta fisiológica dele ao stress oxidativo induzido por determinado protocolo de treinamento. Vamos medir indicadores e mostrar que o grupo que recebeu beta alanina (por nossa decisão rigorosamente não negociada) se recuperou melhor que o grupo controle. Mas com o cliente, é preciso negociar a “verdade do contexto”. Por que? Porque ela é relativa a uma série de condicionantes individuais. Vamos começar com o simples: o indivíduo lhe procura para prescrever um treinamento. Ele DESEJA perder “peso” – qualquer coisa que pese (músculo, gordura, osso, cuspe... ele não sabe). Você observa a composição corporal do sujeito e verifica que ela está saudável e adequada segundo o que você acha que sabe. No entanto, é importante, por algum motivo, para ele, perder peso. Desde que as medidas não conflitem com algum princípio ético seu (eu tenho, eu jamais aceitaria um aluno assim), o desejo é dele. O seu diploma serve para dar os parâmetros para que o programa não seja perigoso. Se você tiver bom senso, você vai procurar otimizar a perda de gordura e manutenção de massa magra e ponto final. O corpo é dele, ele diz o que é bom para ele. O seu papel, com o seu diploma, é dar parâmetros e ajudá-lo a tomar a decisão (ELE TOMA A DECISÃO) melhor. Outra coisa: o seu diploma vai ajudar muito pouco na interpretação da complexíssima relação afetiva da pessoa com o movimento. Corporalidade é um treco complicado. Você pode criar uma rotina lindinha segundo a mais sofisticada literatura sobre funcionalidade, só que ela inclui bola. Seu aluno responde: “NEM FODENDO! ODEIO ESSA MERDA!” E olha para você com olhar assassino. É perda de tempo tentar argumentar sobre a importância do programa fofo que você criou. O ódio dele por bola está escondido nas minhocas da história de vida dele. Amasse a planilha e crie outra. Finalizo com uma ilustração interessante. Quando eu decidi abandonar o tratamento medicamentoso para uma condição grave, um amigo bioquímico, muito bioquímico, talvez o mais citado do país, doutor em Harvard, vaca sagrada, etc (cheio de diploma e pedigree, certo?) me questionou. Eu respondi, no final, que finalmente me sentia “feliz”. Ele perguntou “mas... você consultou algum profissional para poder afirmar isso?” Não é piada. Em última instância, esse autoritarismo profissional que leva a gente acreditar que o diploma nos autoriza saber sempre o que é melhor para “o outro” acaba nisso: segundo meu eruditérrimo amigo, eu precisava de um atestado de felicidade conferido por um psiquiatra com CRM e membro da sociedade brasileira de psiquiatria. Pensem... | |
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