Home
Body Stuff
Coisas sobre corpo
Recent Entries 
sitting

ATENÇÃO: ESTE É UM PRIMEIRO POST NO ASSUNTO E TODOS OS COMENTÁRIOS E SUGESTÕES ADICIONAIS SÃO MUITO BEM-VINDOS. COMENTE O QUE QUISER, FATOS OBSERVADOS E PERGUNTAS. TUDO ISSO VAI NOS AJUDAR A PRODUZIR UM GUIA DE MAIOR UTILIDADE PARA GARANTIR A SEGURANÇA DO PRATICANTE DE MUSCULAÇÃO.

1.      A GAIOLA (power rack). Na verdade, ela deveria entrar como sub-ítem no ítem abaixo. Dada a importância dos riscos que seu uso representa, destaco-a:

 

a.    Não deve haver ESPELHO perto ou atrás de uma gaiola. O espelho distrai os usuários que pretendem fazer agachamento, proporcionando uma postura errada e perigosa, com excessiva inclinação do tronco para frente (pois o praticante não resiste a se observar), aumento do torque na articulação dos joelhos, com consequente stress lesivo, além do óbvio risco de queda.

 

b.    O outro motivo é que o espelho atrai mulheres despreparadas que se colocam perigosamente próximas da gaiola, esteja ela em uso ou aguardando para ser usada (todo equipamento está potencialmente aguadando praticantes). As proximidades da gaiola NÃO SÃO LUGAR PARA AUTO-OBSERVAÇÃO, pois a pessoa transgride ao mesmo tempo todas as normas de segurança: posiciona-se próxima demais do equipamento, não presta atenção na barra e pesos que podem ferí-la e atrapalha o treino de quem usa o equipamento.

 

c.    É procedimento de segurança que haja uma área LIVRE em torno de um power rack. Eu recomendo que seja de no mínimo 1m.

 

d.    A espada da gaiola não é apoio para alongamento. Para isso, existe outra área própria para isso.

 

e.   Deve haver um pequeno cartaz explicando procedimentos de segurança e alertando para o comportamento adequado na proximidade ou dentro da gaiola. Ninguém é obrigado a saber estas coisas. O cartaz poderia conter alguma variação dos seguintes dizeres: “Atenção: a gaiola ou power-rack é um equipamento reservado para exercícios de forma livre com barra e anilhas carregadas. Não permaneça nas proximidades da gaiola enquanto estiver sendo utilizada. Guarde uma distância de no mínimo 1m das bordas. Não circule por perto enquanto estiver sendo utilizada. Não fale com o praticante que esteja utilizando a gaiola. Não use a gaiola para outros objetivos.” Pode-se melhorar este texto sem prejuízo da mensagem.

 

2.      Os equipamentos de suporte para uso de barras carregadas. A gaiola é um deles e acabo de comentar. Os outros são os bancos de supino e os suportes para desenvolvimento. Regras básicas:

 

a.    Não circular em torno do equipamento quando em uso ou em preparação para o uso: isso distrai o praticante levantando o peso, gerando risco para ele, e expõe a pessoa que circula a lesões por trauma caso a barra em movimento a golpeie ou uma anilha acidentalmente caia em seus pés (já vi isso tantas vezes que perdi a conta).

 

b.    Utilizar sempre as espadas de segurança laterais quando presentes (na gaiola ou suportes para desenvolvimento, por exemplo). São elas que proporcionam a segurança do praticante caso ocorra falha concêntrica ou desequilíbrio.

 

c.    O supino não deve ser executado sem um mínimo de supervisão, mesmo em cargas relativamente administráveis. Os piores acidentes ocorrem por descuido, por atos insensatos de demonstração de força além do potencial real do praticante e por técnica errada. É recomendável que o praticante peça para alguém pelo menos olhá-lo, se sentir muita segurança, e de fato “spot” o movimento, caso a carga seja maior. “Spotting” não quer dizer fazer terra ou rosca direta enquanto o amigo faz supino, e sim acompanhar, SEM TOCAR, a barra de maneira que esta possa ser agarrada numa eventual falha concêntrica.

 

d.    A elaboração de um cartaz com normas de segurança também é recomendável.

 

3.      Os dumbells. Hoje os dumbells são objeto do maior número de reclamações entre muitos praticantes. Destaco os problemas em ordem de importância:

 

a.    Uso inadequado. Alguns praticantes arremessam dumbells leves no chão. Além dos problemas que descrevo a seguir, este comportamento reflete questões psico-sociais que não faço idéia de como abordar, pois, quando me mostraram um praticante jogando um peso de 14kg no chão, percebi que era um homem, cerca de 25 anos, aparentemente irritado e muito consciente dos arredores. Parece fundamentada a interpretação dos professores de que estes praticantes emulam o comportamento dos atletas de bodybuilding que NÃO ARREMESSAM, mas sofrem falha concêntrica com pesos muito altos, os quais caem de suas mãos. Infelizmente, isto está provocando a perda, por dano, de dumbells de extrema utilidade: os de 12kg, 14kg e 16kg. Gostaria de chamar atenção para o fato de que os dumbells com recartilho são os melhores que já utilizei até hoje e sua substituição por dumbells de barra emborrachada é lamentável. O recartilho permite uma pegada muito mais segura e firme, com melhor qualidade do treino. Assim, seria importante orientar os praticantes quanto ao uso adequado destes equipamentos. Principalmente para o fato de que eles JAMAIS DEVEM SER ARREMESSADOS, até porque, sendo leves, ricocheteiam e podem facilmente ferir outro praticante.

 

b.    Dumbells largados no chão. Muitas pessoas já machucaram o pé e tropeçaram neles. Tropeçar na área de dumbells é bastante arriscado, pois a queda pode envolver bater a cabeça ou outras parte do corpo em barras e outros dumbells, provocando lesões sérias.

 

c.    Dumbells fora da ordem. Não é exatamente um problema de segurança, mas é um grande transtorno para todos os praticantes, além de origem de conflitos.

 

d.    Dumbells sem o rótulo numérico de peso. Esse é um problema de segurança. Os dumbells são muito parecidos. Eu mesma não sei diferenciar entre um de 22kg, 24kg, 26kg ou 28kg. No entanto, se o praticante pretende fazer 8 repetições com 24kg e está utilizando inadvertidamente um dumbell de 28kg, sente-o pesado mas, confuso, insiste num movimento com técnica inadequada, pode facilmente machucar-se.

 

4.      As máquinas de polia. Da mesma forma que dumbells JAMAIS devem ser arremessados, movimentos com polia JAMAIS devem ser descontinuados no final da fase concêntrica, “largando” o suporte e permitindo que os tijolos de aço despenquem. O cabo é de aço, não de adamantium, e quebra. Quando um cabo de aço de um cross-over quebra, o transtorno na sala de musculação é incalculável. O problema de segurança nesse caso é que muitas vezes largar o suporte na fase concêntrica provoca “tranco”, tranco este que pode ocasionar dano articular. O tranco é muito maior se o cabo quebrar durante a fase concêntrica, o que já vi acontecer várias vezes e já ocorreu comigo (em outra academia). Minha recomendação é que os usuários sejam instruidos a não largar os suportes de polia e evitar que os tijolos despenquem.

 

Todas estas recomendações visam prevenir acidentes, preservar equipamento de uso coletivo e também evitar conflitos desnecessários. Barulho de metal contra metal é inevitável e até saudável, desde que seja resultado do uso SEGURO dos equipamentos. Reprimir, como se fazia no passado, o carregamento “barulhento” de barras por usuários mais fortes ou o som de barras batendo em espadas de gaiola é INSEGURO, pois pode distrair o praticante e forçá-lo a um movimento excêntrico com sobrecarga que seja lesiva. Assim: BARULHO NÃO É PROBLEMA em si – é problema se for resultado de uso inadequado de equipamento.

Na minha opinião, um pequeno guia de segurança na sala de musculação poderia ser distribuido sem nenhum custo absurdo para uma academia.

sitting
 

Voltei à Runner. Voltei à unidade que tem aqui perto de casa, a Club. Essa volta é um patrocínio da Runner a mim, como atleta.

Quando eu saí dali, há cerca de dois anos, logo me tornei atleta, treinando em academias mais hard-core. Não tinha guardado muita saudade do lugar. Naquele momento da saída, eu não era nem a atleta de alta performance que sou hoje, nem uma aluna comum, nem nada. Aliás, eu não era nada: não tinha CREF (que hoje tenho e honro), não tinha reputação na área – era só alguém que gostava muito de treino e se dedicava. Meu corpo começava a ficar diferente, mais musculoso, eu fazia meus próprios treinos em malucos experimentos metodológicos, mas estava longe de ter segurança na área.

Hoje eu volto à Runner não como aluna, não como funcionária, não como professora – nada disso. Sou uma atleta patrocinada. Tenho sido tratada com um carinho comovente por todos os professores, até aqueles que não me conheciam. O que eu temia acontecer quanto aos alunos, um certo estranhamento tanto pelo tipo de treino, como pelo tipo de corpo que eu tenho, me surpreendeu às avessas: tanto os iniciantes como os avançados me tratam com uma simpatia diferenciada. Os marombeiros sérios, por motivos óbvios: está escrito na minha testa que sou atleta e conheço o que faço. Temos assuntos técnicos em comum. Jamais me nego a responder perguntas técnicas, mas tomo todo o cuidado para não interferir nas orientações dos professores.

Fiquei feliz em ver rapazes que há dois anos eram garotos confusos, sem saber muito o que fazer com sua paixão pelo treinamento, hoje empenhados em estudar Educação Física e Nutrição.

Eu não tenho corpo e nem me visto como uma gostosinha de academia, uso shorts porque são a melhor vestimenta para agachar, meus tênis são estritamente funcionais (quando vou agachar ou me estabilizar de alguma forma, só allstar ou tênis de futebol de salão, sem amortecimento – quando vou correr, um mizuno nojentamente sujo de lama, pois corro na rua). Talvez isso sinalize, além da forma do meu corpo, objetivos e limites. Apesar da simpatia e afeto, sou tratada com todo o respeito, a despeito do shortinho curto e tudo mais.

Apenas dois recreativos inexperientes vieram tentar falar comigo sobre esteróides, e eu desconversei educadamente. “Mas você toma, claro!”, disseram. “Tomo: água. Muita água. Água é altamente anabólico”, foi minha resposta. E é mesmo. Além de ser, essa é uma decisão consciente: além de água, não prescrevo rigorosamente nada ali. Nem dieta, nem treino e muito menos suplemento. Sobre esse assunto, minha resposta é dizer “minha opinião é que você deve consultar um bom nutricionista esportivo”. E ponto.

Durante esses dias, nem tenho treinado na Nautilus, pois até o fim de janeiro não faço os levantamentos – só treino auxiliar. E me dei conta de que a Runner está sendo bem mais do que apenas um lugar para tais treinos: lá tenho relaxado tensões fortes desse final de ano e me sentido bem.

Foi bom voltar.

Algumas voltas são boas.

 

Marilia

 

This page was loaded Nov 28th 2009, 11:11 pm GMT.